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A mentira da mente

No post de ontem, falei sobre como ouvir o corpo foi importante e me ajudou durante algumas semanas depois da Golden Four São Paulo. Diminuir os treinos intervalados e não fazer tanto esforço nos outros treinos, além do descanso, fizeram as coisas voltarem ao rumo que parece correto. Alguns desses treinos sem tanto esforço foi mais por não conseguir do que por não querer. Se bem que, em alguns deles, foi também um não querer disfarçado de não conseguir.

Coisas da cabeça. Temos muito disso. Há  dias em que você não tem vontade nenhuma de correr. E acaba sendo o treino mais perfeito da semana. Em outros casos, a falta de vontade resulta em um horrendo, estrondoso e inqualificável treino. Daqueles que só ficam bom quando termina. E às vezes nem isso. Pois bem. Na última semana, já adaptado à rotina dos dois treinos intervalados por semana, tive uma tentativa de enganação por parte da minha mente.

Os últimos treinos em dias de semana venho fazendo bem cedo. Os da última semana, foram com previsão de chuva. Vejam bem: previsão. Correndo cedo, sempre dou uma olhada na previsão e na temperatura, para saber e já me preparar psicologicamente para o que pode vir. Felizmente, até então, só um treino de rodagem foi feito com muito vento. Os outros foram todos em temperaturas normais para esta época do ano, na qual a primavera chegou, mas ainda tem traços de inverno. O clima, aliás, tem sido bem agradável.

Voltando à previsão. Ela avisava que quarta e quinta seria de chuva, desde de manhã. Já pensei que iria fazer meus treinos com este tempo estimulante e procurava motivos e motivação para sair às cinco da manhã para correr na chuva. Quarta fui de manhã normalmente e não choveu. Só choveu mais tarde. Escapei. A previsão da quinta era a pior possível. Chuva desde cedo e sem indicativos de que em algum momento cessaria. Haja trabalho mental para se convencer a sair de casa de manhã, ainda escuro, para correr e fazer 20 x 1’30”. A vontade maior era nem sair para correr.

Depois do treino de rodagem de quinta, senti as pernas meio cansadas. Não sei bem se estavam mesmo ou se já era eu tentando sabotar o treino intervalado de quinta. Com o passar do dia, as pernas foram melhorando. A tentativa de sabotagem não encontrava respaldo nas pernas. Apelei então para a chuva. Cansaço com chuva não ia render coisa boa. Sem cansaço, mas com chuva, poderia ser ruim igual. Várias negociações aconteciam no decorrer do dia. Chegou a hora de dormir e fiz comigo o seguinte trato. Quando acordar, se estiver tudo bem com as pernas, você vai e faz os tiros. Larga mão de ser preguiçoso! Mesmo com chuva! Só não faz os tiros se estiver sentindo muito cansaço.

Acordei, então, na madrugada e… sem dores, sem cansaço e sem chuva. Clima perfeito para correr. Cheguei a pensar: “será que precisa mesmo fazer todos esses 20 tiros?”. A única certeza que tenho é que nenhuma decisão pode ser tomada imediatamente após acordar às 4h30. Existe uma chance muito grande de você se convencer a desistir do treino de tiro, do treino e de voltar para a cama. Com tudo a favor, fui, aqueci e fiz os 20 tiros de 1’30”. Foi um dos melhores treinos das últimas semanas. O último tiro saiu com média de 3:46 min/km. A lição do dia foi: ouça seu corpo, mas não a sua mente. Ele te alerta, ela às vezes te engana. O corpo faz o que a mente acredita.

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Ouvindo o corpo

Treinei por pouco mais de três meses para a Golden Four SP. O resultado não foi o melhor do mundo, mas não foi ruim. Não era algo desprezível e mostrou que os treinos estavam ajudando no desempenho. Depois da Golden, resolvi fazer uma mudanças nos treinos. Inclui subidas nos percursos e as escadas. Outra mudança foi que nas seis semanas seguintes à prova fiz apenas um treino intervalado na semana. A planilha sempre tem dois treinos deste tipo: um com tiros mais longos na terça e um com tiros mais curtos na quinta. Destas seis semanas, só na primeira fiz tiros curtos. Nas outras cinco fiz apenas os tiros longos.

A planilha continuava mostrando dois treinos intervalados na semana, mas as pernas gritavam para não fazer isso. Com sinais vindos de todos os lugares do corpo, fui adaptando os treinos. Preferi deixar os tiros longos porque são os que mais se assemelham com o ritmo que pretendo fazer nas meias maratonas. Nos dias que teria o treino invervalado, fazia rodagens em um ritmo um pouco mais rápido (tentava) que as rodagens normais de segunda e quarta. Nas semanas finais de treinamento antes da Golden Four, apareceram aquelas dores do nada na perna. Suspeito que seja intensidade com técnica de corrida, além da falta de fortalecimento.

Nas semanas seguintes, analisei a situação das pernas e fui fazendo o que dava. As dores melhoraram e os treinos em subida e nas escadas parecem ter ajudado também. Apesar de ainda ter me sentido bem cansado na última das seis semanas. Ajustes feito, recomecei os intervalados duas vezes na semana. Já foram três semanas seguidas e o resultado foi bem animador. Sem cansaço e sem dores. Está tudo tão certo e tão encaixado que só pode ser o aviso de que algo vai dar errado daqui a pouco. Enquanto isso, tento aproveitar o bom momento, inclusive nos treinos longos. Passar o mês de agosto e um pouco de setembro fazendo menos força parece que fez as coisas entrarem nos eixos.