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Blog do Enio

183 dias de esteira em casa

Quando a quarentena começou e o COVID se espalhou pelo mundo todo, ficamos em casa. Não fomos correr na rua. Procuramos esteiras para alugar, mas não tivemos sucesso. Parece que todos tiveram a mesma ideia. Isso era fim de março.

Aceitamos que talvez pudéssemos ficar sem correr por um tempo. Era ruim, mas fazia parte do combo da quarentena. Conseguimos uma bicicleta emprestada e compramos um rolo, daqueles bem simples. Ele não era muito bom, às vezes ficava frouxo. O resumo de tudo é que não nos adaptamos ao rolo e à bicicleta. Poucos foram os treinos e geralmente não tão longos.

Eis que no meio do maio descobrimos que um conhecido tinha alugado esteira e fomos atrás. Pesquisamos as opções e acabamos parando na Ergolife Fitness. Foi a que ofereceu melhores condições e preços. Lá conseguimos alugar uma esteira.

O contrato previa ficar seis meses com a esteira. Não achamos má ideia. O investimento não era dos mais baratos, mas pensamos que valia a pena. A saúde, tanto física quanto mental, seria a maior beneficiada. Como a esteira chegou no dia 27 de maio, deveria ficar em casa até 27 de novembro.

Pensamos que as coisas já estariam melhor até esta data. A partir de junho e julho houve flexibilização e os parques abriram. Porém, como fizemos este investimento, optamos por não ir para a rua. Não era uma opção. Se havia esteira em casa, não tínhamos motivos para sair. Esteira nunca vai ser melhor do que na rua, mas pelo menos esta parte do distanciamento conseguimos manter por seis meses.

No dia 25 de novembro a esteira foi embora. Tivemos que pedir para adiantar a retirada, mas a missão dela em casa estava cumprida. Ajudou a manter a atividade física. Eu consegui subir todos os dias nela. Sem parar. Todo dia. Virou uma rotina que eu não sabia que iria conseguir fazer.

Concluímos todos os desafios pessoais e virtuais propostos. Fiz 1.469,66 km na esteira em 183 dias, média de pouco mais de 8 km por dia. No fim das contas, minha relação com a esteira ficou mais amistosa. A rua continua sendo melhor, mas passei a não abominar tanto a esteira. Teve sua utilidade e nos ajudou em um momento complicado.

A realidade, porém, é que apesar da queda, os casos voltaram a subir no fim de novembro. Então, não sabemos bem se novas medidas restritivas serão tomadas. Tivemos uma rotina de 6 meses com esteira em casa e agora voltamos a correr na rua. Temos que nos adaptar. Antes, a qualquer hora poderíamos correr, independente da condição climática. Agora, existem outros diversos fatores.

De qualquer forma, não haverá a opção de novo aluguel da esteira. Vai sobrar a rua ou a academia na esteira. Provavelmente, vou optar sempre pela rua, tomando os cuidados necessários. E assim vamos tentar seguir correndo, sem novas interrupções.

Por Enio Augusto

Começou a correr em 2008. Não estava acima do peso, mas descobriu que gostava de correr. Parecia simples e fácil. Corre mais por teimosia do que por algum talento natural. Sonha em correr mais rápido e acha que um dia vai chegar lá.

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