Correr sem dor – Canelite – Parte 1

Relato enviado pelo Thiago Sousa

Meu nome é Thiago, no Instagram @corredorcervejeiro, 36 anos, casado, tenho um filho de 4 anos e sou de Aracaju/SE. Corro esporadicamente há 6 anos e com regularidade há 1 ano. Pelo menos, 5 km, 3 vezes por semana e tenho canelite nas duas pernas: nível 1 na esquerda e nível 3 na direta (a classificação é minha, de 0 a 5). Por conta desta patologia, não consigo aumentar a distância nas corridas, nem baixar meu pace (6 min/km).

No entanto, a corrida me ganhou e eu preciso chegar aos 10 km em 2015 e aos 21 km em 2016. Então, busquei ajuda médica. Fiz raio x e não acusou nada. Fiz ressonância e acusou “possivelmente estresse tibial grau 1 incipiente”. A partir daí, entrei em uma academia para fazer fortalecimento das pernas. Vale a lembrança de que comecei a correr para fazer alguma atividade, já que não gosto de academia, e agora eu retornava à academia para continuar a correr. O mundo dá voltas.

Com os competentes acompanhamentos dos professores Zé Carlos e Helen, estou há 2 meses “malhando” para reforçar esses músculos que poucas vezes foram tão exigidos. Concomitantemente, procurei conselho com, talvez, o maior especialista em corridas de Sergipe. Este treinador comprou minha briga e começou a polir minha técnica. Fizemos teste de pisada, troca do asfalto pela grama, treinos educativos e trotes leves para conhecer minha biomecânica e… a dor aumentou. Até raspei as pernas para usar Kinésio Tape e nada!

Bateu o desespero: se eu corria errado e doía pouco, como correndo certo dói muito? Aí entra o tato do técnico e a individualidade do atleta. Ele disse: “eu precisava ver como você reagiria ao treinamento regular, até para avaliar o nível de desconforto da dor. Vamos tentar algo velho e novo. Você apostou em mim para te fazer correr sem dor e vamos fazer isso em 4 semanas“.

Agora começa a história que quero contar, que chamarei de treino Karatê Kid. “Amanhã venha sem tênis e antes e depois dos treinos faça massagem nas pernas com sabão de côco, ele tem substâncias anti-inflamatórias e vai tirar os coágulos das inflamações dos ossos“. Sei… sabão de côco? Estava parecendo Karatê kid com Rocky Balboa. Pensei: “vou fazer fortalecimento e treino funcional nestas 4 semanas, mas isso eu já faço na academia“.

Quando cheguei no local onde treino, na orla de Aracaju, eram 7h. Fomos para a praia, e após um alongamento diferenciado, pediu que andasse 50 metros e voltasse trotando 100 metros, sem me preocupar com pisada. “Corra como o Thiago criança, leve, se divertindo e relaxado“. “Mas professor… descalço?”. “Sim, mas vá pelo mar, com água na altura de um palmo, andando e correndo com água no meio da canela. Isso vai aliviar o impacto na aterrissagem e fortalecer a musculatura na decolagem“.

Fui desconfiado de que mais uma vez as dores iriam aumentar. Fiz 2,5 km entre andada e corrida e NADA de dor. Como? 30 minutos de atividade e nada? Ontem não consegui trotar na grama com tênis por 10 minutos e hoje faço 2,5 km descalço! E assim foi na terça, quarta, quinta e sexta, 4 dias seguidos correndo sem tênis e sem dor. Milagre? Treinos de uma hora, fazendo em média 3 km intervalados e vários exercícios na água.  Dor? Zero! Amanhã continuamos essa breve história. Até lá.

*Quer contar como foi o seu treino ou a sua corrida? Faça como o Thiago e envie o seu relato para o Por Falar em Corrida.

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