Maratona de Boston 2026 teve um dos dias mais rápidos e impressionantes da história
A 130ª edição da Boston Marathon, apresentada pelo Bank of America, entrou para a história com um dos dias mais rápidos e impressionantes que a prova já viu. E o grande nome foi o queniano John Korir.
Atual campeão da prova, Korir não apenas venceu novamente — ele destruiu o recorde do percurso com absurdos 2h01min52s, superando a marca de 2h03min02s que parecia intocável desde 2011, quando havia sido estabelecida por Geoffrey Mutai.
E ele não foi o único bicampeão do dia.
Na prova feminina, a também queniana Sharon Lokedi confirmou seu domínio em Boston ao vencer pelo segundo ano seguido, cruzando a linha em 2h18min51s. Curiosamente, esse foi apenas o segundo melhor tempo da história da prova — atrás justamente do 2h17min22s que ela mesma havia feito no ano anterior.
Já nas cadeiras de rodas, o suíço Marcel Hug conquistou sua nona vitória em Boston com 1h16min06s, enquanto a britânica Eden Rainbow-Cooper venceu entre as mulheres pela segunda vez em três anos, marcando 1h30min51s.
As condições ajudaram bastante: cerca de 7°C na largada e um leve vento a favor criaram o cenário perfeito para tempos rápidos. E os homens aproveitaram desde o início. O ritmo já saiu agressivo, constantemente abaixo da projeção do recorde do percurso.
Na metade da prova, quem liderava era Lemi Berhanu, campeão de Boston em 2016, passando em impressionantes 1h01min43s. Pouco depois, o etíope Milkesa Mengesha assumiu a ponta, mas Korir vinha logo atrás, claramente confortável naquele ritmo insano.
A definição veio antes da famosa Heartbreak Hill. Korir atacou forte e abriu uma vantagem que parecia pequena no cronômetro, mas enorme na prática. O tanzaniano Alphonce Felix Simbu resumiu bem depois da prova:
“Tentamos buscar ele… mas ele simplesmente foi embora.”
Simbu ainda brigou até o fim com o queniano Benson Kipruto, campeão de Boston em 2021. Os dois completaram o pódio com tempos absurdos: 2h02min47s e 2h02min50s — ambos também abaixo do antigo recorde do percurso.
Após a chegada, Korir admitiu que esperava defender o título, mas não imaginava correr tão rápido. Segundo ele, quebrar o recorde de Mutai era um objetivo antigo de carreira.
Na prova feminina, o cenário foi bem diferente no começo. Um grupo grande seguia unido, com 16 atletas passando a meia em 1h11min02s. Mesmo na marca dos 32 km, nove mulheres ainda estavam juntas.
Mas na subida da Heartbreak Hill, Lokedi começou a fazer a diferença. Aos poucos, o grupo foi desmontando até restarem apenas algumas quenianas na disputa.
E teve um detalhe curioso: Lokedi correu praticamente sem referências no relógio. Ela percebeu no ônibus para a largada que havia esquecido o próprio relógio e precisou usar um emprestado.
Segundo ela, a estratégia foi simplesmente manter a calma e seguir o carro da liderança.
A estreante Loice Chemnung terminou em segundo com 2h19min35s, enquanto Mary Ngugi-Cooper foi terceira em 2h20min07s. Ambas entraram para o top-6 histórico da maratona.
Os americanos também tiveram um dia histórico. Zouhair Talbi correu 2h03min45s — o melhor tempo já registrado por um atleta dos EUA no percurso de Boston. Entre as mulheres, Jessica McClain fez 2h20min49s, também recorde americano na prova. Os dois terminaram em quinto lugar.
Nas cadeiras de rodas, as provas foram decididas cedo.
Rainbow-Cooper abriu 24 segundos de vantagem já nos primeiros 5 km e nunca mais foi ameaçada. A suíça Catherine DeBrunner terminou em segundo, seguida pela americana Tatyana McFadden.
Já Marcel Hug ficou ainda mais perto da história: agora ele soma nove títulos em Boston e está a apenas uma vitória de igualar o recorde absoluto de dez conquistas, pertencente a Ernst van Dyk.
Entre os participantes famosos, alguns nomes chamaram atenção:
- Des Linden, campeã de Boston em 2018: 2h36min24s
- Zdeno Chara, ex-capitão do Boston Bruins: 3h18min13s
- Chelsea Clinton: 3h48min12s
- Suni Williams: 5h53min36s
- Jeff DaRosa: 3h44min10s
O dia ainda contou com as disputas do para atletismo, com vencedores em diferentes categorias de deficiência visual, intelectual, coordenação motora e amputações.