Categorias
Blog do Enio

Quebrando as barreiras psicológicas

Sempre que tenho que parar alguns dias, meses ou seja lá que medida de tempo for, o retorno é sempre demorado, engessado, sem ritmo. Normal. A parte boa é saber o ritmo que já corri e até onde posso chegar. Claro que é preciso paciência nesse retorno porque os primeiros treinos são horríveis, sofridos e parece que nunca corremos na vida.

Ano passado foi bem farto desses momentos de retorno. Quando volto, ainda é meio sem vontade e correr mais de 30 minutos neste início é um suplício. Sei que depois de uns dias vai passar, mas é são dias complicados. Até os lugares para correr são mais restritos. Como vou correr pouco tempo e uma menor distância, evito lugares por onde sei que o percurso será maior.

Um desses lugares é a Beira Mar de São José. Em períodos normais de treinamento, ela é até curta, pequena para o que preciso correr. Nestes retornos, ela é enorme, vira uma barreira psicológica. E é esta barreira que tento quebrar depois de um tempo. A primeira vez que corro a Beira Mar ida e volta é quase libertador.

Nos primeiros dias do retorno, evito a Beira Mar. Ontem, foi o dia do enfrentamento. Não é grande coisa, mas ontem saiu finalmente o treino em toda a extensão dela. Deu pouco mais de 7 km em 43 minutos. Fiz o aquecimento nas ruas perto de casa e fui e voltei na Beira Mar. Depois que faz a primeira vez, vê como era simples e fácil.

O problema todo é começar. Enquanto não acontece o primeiro treino em toda a extensão da Beira Mar, parece sempre que é muito difícil. Quebro a barreira psicológica do percurso, já corro um pouco mais de tempo e de distância. Ou seja, é três em um. Os próximos treinos tendem a ser melhores e menos sofridos.

Categorias
Blog do Enio

Pequenos truques

Sábado passado fiz o meu longão mais longo nesse retorno. Quando saí de casa, a ideia era fazer pelo menos 45 minutos. Esticar até os 50 minutos seria o máximo que havia estipulado. Só que eu me conheço e a vontade não estava tão grande assim. Tive que trabalhar com pequenos truques para ir me enganando e prolongar o treino um pouco mais.

Tudo começou na definição que eu iria ir e voltar na Beira Mar de São José, independente do que acontecesse. Antes de chegar lá, porém, fiz o início do treino nas ruas da cidade. Foi uns 8 minutos pela cidade até chegar na Beira Mar de fato. Com isso, já sabia que ia chegar pelo menos nos 40 minutos de treino.

A ida e volta da Beira Mar tem uns 5,5 km e com certeza eu faria esse percurso em mais de 30 minutos. Antes de iniciar essa parte, fiz a voltinha de 800 metros que tem depois do portal da cidade, perto da ponte. Ali já ganhei mais alguns minutos. Com isso, ficou mais fácil deixar meu treino maior.

Essa meta que coloquei de ir e voltar na Beira Mar já iria me deixar com um bom tempo de treino. Quando ainda não tinha chegado no fim, o Garmin mostrou 7 km. Logo em seguida, entrei em uma das ruazinhas da Beira Mar e fui para casa, já era praticamente o fim do treino. Fiz esses 7 km em pouco mais de 43 minutos.

Para fechar o treino com um número redondo, estipulei correr até os 45 minutos. Quando chegou nos 45 minutos, ainda não estava tão perto de casa. O que eu fiz? Mais uma meta: vamos correr até em casa. E assim foi. Quando o relógio marcou um número redondo e estava já próximo de casa, finalmente para o cronômetro.

No fim, foram 48 minutos e quase 8 km. Tudo com pequenos truques para ir mais longe nessa fase de preguiça e lentidão. Primeiro, correr toda a Beira Mar. Segundo, esticar o caminho no início até chegar de fato na Beira Mar. Terceiro, pensar em correr até os 45 minutos. Por último, correr até em casa. Com essas traquinagens, corri quase 50 minutos e não foi tão sofrido e  chato quanto parecia no início ao sair de casa.

Categorias
Geral

A mentira da mente

No post de ontem, falei sobre como ouvir o corpo foi importante e me ajudou durante algumas semanas depois da Golden Four São Paulo. Diminuir os treinos intervalados e não fazer tanto esforço nos outros treinos, além do descanso, fizeram as coisas voltarem ao rumo que parece correto. Alguns desses treinos sem tanto esforço foi mais por não conseguir do que por não querer. Se bem que, em alguns deles, foi também um não querer disfarçado de não conseguir.

Coisas da cabeça. Temos muito disso. Há  dias em que você não tem vontade nenhuma de correr. E acaba sendo o treino mais perfeito da semana. Em outros casos, a falta de vontade resulta em um horrendo, estrondoso e inqualificável treino. Daqueles que só ficam bom quando termina. E às vezes nem isso. Pois bem. Na última semana, já adaptado à rotina dos dois treinos intervalados por semana, tive uma tentativa de enganação por parte da minha mente.

Os últimos treinos em dias de semana venho fazendo bem cedo. Os da última semana, foram com previsão de chuva. Vejam bem: previsão. Correndo cedo, sempre dou uma olhada na previsão e na temperatura, para saber e já me preparar psicologicamente para o que pode vir. Felizmente, até então, só um treino de rodagem foi feito com muito vento. Os outros foram todos em temperaturas normais para esta época do ano, na qual a primavera chegou, mas ainda tem traços de inverno. O clima, aliás, tem sido bem agradável.

Voltando à previsão. Ela avisava que quarta e quinta seria de chuva, desde de manhã. Já pensei que iria fazer meus treinos com este tempo estimulante e procurava motivos e motivação para sair às cinco da manhã para correr na chuva. Quarta fui de manhã normalmente e não choveu. Só choveu mais tarde. Escapei. A previsão da quinta era a pior possível. Chuva desde cedo e sem indicativos de que em algum momento cessaria. Haja trabalho mental para se convencer a sair de casa de manhã, ainda escuro, para correr e fazer 20 x 1’30”. A vontade maior era nem sair para correr.

Depois do treino de rodagem de quinta, senti as pernas meio cansadas. Não sei bem se estavam mesmo ou se já era eu tentando sabotar o treino intervalado de quinta. Com o passar do dia, as pernas foram melhorando. A tentativa de sabotagem não encontrava respaldo nas pernas. Apelei então para a chuva. Cansaço com chuva não ia render coisa boa. Sem cansaço, mas com chuva, poderia ser ruim igual. Várias negociações aconteciam no decorrer do dia. Chegou a hora de dormir e fiz comigo o seguinte trato. Quando acordar, se estiver tudo bem com as pernas, você vai e faz os tiros. Larga mão de ser preguiçoso! Mesmo com chuva! Só não faz os tiros se estiver sentindo muito cansaço.

Acordei, então, na madrugada e… sem dores, sem cansaço e sem chuva. Clima perfeito para correr. Cheguei a pensar: “será que precisa mesmo fazer todos esses 20 tiros?”. A única certeza que tenho é que nenhuma decisão pode ser tomada imediatamente após acordar às 4h30. Existe uma chance muito grande de você se convencer a desistir do treino de tiro, do treino e de voltar para a cama. Com tudo a favor, fui, aqueci e fiz os 20 tiros de 1’30”. Foi um dos melhores treinos das últimas semanas. O último tiro saiu com média de 3:46 min/km. A lição do dia foi: ouça seu corpo, mas não a sua mente. Ele te alerta, ela às vezes te engana. O corpo faz o que a mente acredita.