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Férias alvissareiras

Amanhã, a partir das 13 horas, terei o início daquilo que costumamos chamar de férias. A última parcela do ano. As próximas duas semanas serão de folga do trabalho. Mas só do trabalho. Os treinos continuam. Como falei em um post lá de julho, o descanso fica por conta do trabalho. A corrida continua fazendo parte do dia a dia. A vantagem de estar em férias é que posso acordar a qualquer hora e sair para correr.

Nos dias de trabalho, devido ao meu horário, tenho que correr das 5 às 6 da manhã e acordar às 4h30. Só assim para não me atrasar e chegar às 7h. Nas férias, tudo fica mais flexível. Gosto de correr logo depois de acordar (falarei disso em outro post) e fazer as coisas sem horário facilita bastante. Tudo indica que haverá uma viagem familiar nos primeiros dias de férias, mas não vai comprometer os treinos. Até porque levarei o tênis e é depois da Meia Maratona de Florianópolis.

Na semana posterior à meia maratona, tenho mais treinos de rodagens do que intervalados. Essas duas semanas vão ser boas para fazer alguns ajustes para a Golden Four Brasília. As férias terminam, volto à rotina e ainda terei mais duas semanas para finalizar os treinos rumo a Brasília. Quando escolhi as férias nesses dias, nem pensei em corrida. Pensei no feriado do dia 12 de outubro e em ter mais dias de férias. Acabou sendo uma escolha quase perfeita. Só seria melhor se as férias fossem na semana da Golden Four.

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A mentira da mente

No post de ontem, falei sobre como ouvir o corpo foi importante e me ajudou durante algumas semanas depois da Golden Four São Paulo. Diminuir os treinos intervalados e não fazer tanto esforço nos outros treinos, além do descanso, fizeram as coisas voltarem ao rumo que parece correto. Alguns desses treinos sem tanto esforço foi mais por não conseguir do que por não querer. Se bem que, em alguns deles, foi também um não querer disfarçado de não conseguir.

Coisas da cabeça. Temos muito disso. Há  dias em que você não tem vontade nenhuma de correr. E acaba sendo o treino mais perfeito da semana. Em outros casos, a falta de vontade resulta em um horrendo, estrondoso e inqualificável treino. Daqueles que só ficam bom quando termina. E às vezes nem isso. Pois bem. Na última semana, já adaptado à rotina dos dois treinos intervalados por semana, tive uma tentativa de enganação por parte da minha mente.

Os últimos treinos em dias de semana venho fazendo bem cedo. Os da última semana, foram com previsão de chuva. Vejam bem: previsão. Correndo cedo, sempre dou uma olhada na previsão e na temperatura, para saber e já me preparar psicologicamente para o que pode vir. Felizmente, até então, só um treino de rodagem foi feito com muito vento. Os outros foram todos em temperaturas normais para esta época do ano, na qual a primavera chegou, mas ainda tem traços de inverno. O clima, aliás, tem sido bem agradável.

Voltando à previsão. Ela avisava que quarta e quinta seria de chuva, desde de manhã. Já pensei que iria fazer meus treinos com este tempo estimulante e procurava motivos e motivação para sair às cinco da manhã para correr na chuva. Quarta fui de manhã normalmente e não choveu. Só choveu mais tarde. Escapei. A previsão da quinta era a pior possível. Chuva desde cedo e sem indicativos de que em algum momento cessaria. Haja trabalho mental para se convencer a sair de casa de manhã, ainda escuro, para correr e fazer 20 x 1’30”. A vontade maior era nem sair para correr.

Depois do treino de rodagem de quinta, senti as pernas meio cansadas. Não sei bem se estavam mesmo ou se já era eu tentando sabotar o treino intervalado de quinta. Com o passar do dia, as pernas foram melhorando. A tentativa de sabotagem não encontrava respaldo nas pernas. Apelei então para a chuva. Cansaço com chuva não ia render coisa boa. Sem cansaço, mas com chuva, poderia ser ruim igual. Várias negociações aconteciam no decorrer do dia. Chegou a hora de dormir e fiz comigo o seguinte trato. Quando acordar, se estiver tudo bem com as pernas, você vai e faz os tiros. Larga mão de ser preguiçoso! Mesmo com chuva! Só não faz os tiros se estiver sentindo muito cansaço.

Acordei, então, na madrugada e… sem dores, sem cansaço e sem chuva. Clima perfeito para correr. Cheguei a pensar: “será que precisa mesmo fazer todos esses 20 tiros?”. A única certeza que tenho é que nenhuma decisão pode ser tomada imediatamente após acordar às 4h30. Existe uma chance muito grande de você se convencer a desistir do treino de tiro, do treino e de voltar para a cama. Com tudo a favor, fui, aqueci e fiz os 20 tiros de 1’30”. Foi um dos melhores treinos das últimas semanas. O último tiro saiu com média de 3:46 min/km. A lição do dia foi: ouça seu corpo, mas não a sua mente. Ele te alerta, ela às vezes te engana. O corpo faz o que a mente acredita.

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Ouvindo o corpo

Treinei por pouco mais de três meses para a Golden Four SP. O resultado não foi o melhor do mundo, mas não foi ruim. Não era algo desprezível e mostrou que os treinos estavam ajudando no desempenho. Depois da Golden, resolvi fazer uma mudanças nos treinos. Inclui subidas nos percursos e as escadas. Outra mudança foi que nas seis semanas seguintes à prova fiz apenas um treino intervalado na semana. A planilha sempre tem dois treinos deste tipo: um com tiros mais longos na terça e um com tiros mais curtos na quinta. Destas seis semanas, só na primeira fiz tiros curtos. Nas outras cinco fiz apenas os tiros longos.

A planilha continuava mostrando dois treinos intervalados na semana, mas as pernas gritavam para não fazer isso. Com sinais vindos de todos os lugares do corpo, fui adaptando os treinos. Preferi deixar os tiros longos porque são os que mais se assemelham com o ritmo que pretendo fazer nas meias maratonas. Nos dias que teria o treino invervalado, fazia rodagens em um ritmo um pouco mais rápido (tentava) que as rodagens normais de segunda e quarta. Nas semanas finais de treinamento antes da Golden Four, apareceram aquelas dores do nada na perna. Suspeito que seja intensidade com técnica de corrida, além da falta de fortalecimento.

Nas semanas seguintes, analisei a situação das pernas e fui fazendo o que dava. As dores melhoraram e os treinos em subida e nas escadas parecem ter ajudado também. Apesar de ainda ter me sentido bem cansado na última das seis semanas. Ajustes feito, recomecei os intervalados duas vezes na semana. Já foram três semanas seguidas e o resultado foi bem animador. Sem cansaço e sem dores. Está tudo tão certo e tão encaixado que só pode ser o aviso de que algo vai dar errado daqui a pouco. Enquanto isso, tento aproveitar o bom momento, inclusive nos treinos longos. Passar o mês de agosto e um pouco de setembro fazendo menos força parece que fez as coisas entrarem nos eixos.

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Longo de sábado

É bom utilizar os posts de segunda-feira para falar das corridas ou dos treinos do fim de semana. Ou de qualquer coisa que aconteceu no sábado ou domingo. Assim, já tenho um post na semana garantido. Faltam só mais quatro para manter a sequência. Falando sobre o fim de semana. No sábado, fiz o treino longo da semana. Não havia provas para participar. Era só treinar sábado e descansar domingo. O treino era do mesmo tipo que fiz há dois sábados. 16 km, sendo 6 km normal, 2 km forte, 6 km normal e 2 km forte. Os 2 km forte no ritmo da meia maratona sub 1h40 ou mais rápido. Pensava em seguir a mesma linha do treino anterior. Utilizar a Beira Mar de São José como local de treino.

Acontece que o sábado amanheceu com um vendaval. A temperatura estava boa. De acordo com o celular, 19ºC, mas vento sul de 19 km/h. Quando tem onda na Beira Mar é porque a coisa é forte. Não abortei o treino, mas modifiquei um pouco o percurso. Já sabendo da ventania que ia ser, saí da Beira Mar. Resolvi que iria até o Parque de Coqueiros. Diminuiria um pouco o vento contra, mas enfrentaria as subidas e descidas do percurso. São quatro na ida e quatro na volta. Já que não ia ser fácil correr com vento, por que não colocar umas subidas também, né? Desta vez, mesmo com as subidas, fui mais determinado a fazer um ritmo legal nos 6 km e tentando manter forte os 2 km. No dia da prova, vai ter alguma subida. Simular no treino algo pior pode ser uma boa ideia.

Foi legal que as duas parciais de 6 km saíram em 31:59 (5:20) e 31:29 (5:15). As do treino passado tinham saído em 33:10 (5:32) e 33:15 (5:33). As duas foram mais rápidas e em trajetos com subidas a todo instante. Já a parte dos 2 km foi pior em comparação com o treino passado. Fiz em 9:14 (4:37) e 9:10 (4:35) contra 9:13 (4:37) e 8:55 (4:28). Fui mais lento, mas mais constante, mesmo com as subidas. Durante essas subidas, sentia mais as pernas, às vezes “queimando”, um cansaço meio natural, e no 16º km senti um pouco a canela esquerda, mas não perdurou. De resto, tudo normal. O resultado final me agradou bastante. Espero que isso se reflita na meia maratona do domingo que vem.

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Espreguiçar sem exagerar

Penso que seja muito comum as pessoas se espreguiçarem quando acordam. Não sei vocês, mas comigo é quase automático. Acordou, percebeu que está acordado e que está na hora de levantar. Às vezes, ainda nem consegui abrir os olhos totalmente e já estou me espreguiçando. Depois de algumas horas dormindo, é bom dar uma esticada para sair daquele modo entrevado.

Por aqui, além das espreguiçadas, ainda sai umas estaladas nos braços e, às vezes, nas pernas. Parece que se não faço isso, fica faltando alguma coisa. Parece que ainda não acordei de fato. Ou estou acordado, mas sem flexibilidade nenhuma. O problema desses alongamentos é que ao acordar, eu, pelo menos, às vezes ainda não estou raciocinando direito.

Pode acontecer, daí, o que aconteceu dias atrás. Sei lá o movimento que fiz com o braço e senti algo no ombro. Parecia um mau jeito, mas que apareceu só depois da esticada matinal. Uns dias depois, foi a vez do pescoço. Não sei se tem hora de estalá-lo nem se faz bem, mas decididamente não é depois de acordar no meu caso. Passei o dia todo sentindo o pescoço. Esses incômodos acabam atrapalhando um pouco na hora de correr. Por outro lado, correr faz eles diminuírem ou sumirem em algumas vezes.

Tento me policiar, mas como falei antes, é tão automático e tão sem pensar na maioria das vezes só percebo as coisas depois que já fiz. Já aconteceu de perceber imediatamente após. Dei aquela estalada e já senti: OPA, HOJE DEU RUIM E O DIA VAI SER UMA BOSTA. No caso do pescoço, geralmente passa quando durmo. No caso do ombro, porém, o incômodo perdurou por alguns dias. Espreguice-se, mas vai com calma.

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18 x 2 minutos para o fim do mundo

Comecei a tentar correr de manhã, antes do trabalho, para ver se o dia rendia e se ficava com todo o tempo livre no restante dele. Tem funcionado bem. Treinei cedo de terça a quinta e nesta semana também. A pior parte é sair da cama. Depois, é tranquilo. Como começo no trabalho às 7 horas, é tudo meio controlado na questão de tempo. Acordo às 4h30 para evitar qualquer imprevisto.

Até eu fazer tudo que faço, colocar a roupa e o GPS achar o sinal vai uns minutos. Em geral, os treinos começaram entre 5h06 e 5h08. Varia muito de acordo com o elevador demorar para chegar e do GPS se localizar. Mas é importantíssimo esse número exato. Não posso arredondar. Meus treinos são por tempo. Exceto, às vezes, os longos de sábado. Logo, se comecei às 5h06, vou terminar às 5h56 ou 6h06.

Já tento fazer o percurso de forma que termine o treino bem perto de casa, para não perder muito tempo. Os treinos de rodagens são mais tranquilos. Sei que é só correr 50 minutos ou 1 hora. É fácil de saber quando vai começar e terminar, não varia. O problema maior são os intervalados. Eles também são por tempo, mas não tem uma regra de tempo de duração. Nesses casos, até calculo antes de sair de casa o total para ver como vai ser a correria.

Exemplificando: na semana passada, fiz um treino intervalado longo, Foram 5 repetições de 8 minutos com intervalo de 2 minutos trotando. Ainda tem os 15 minutos de aquecimento. Tempo total de treino: 1h05. O treino começou às 5h10 e terminou às 6h15. Não foi tão no limite, mas nas rodagens tenho mais folga. Nestes treinos, dispenso o trote depois do treino. Melhor não me atrasar do que fazer mais uns minutos de volume.

Na mesma semana passada, o intervalado curto foi o que gerou este post. Eram 18 repetições de 2 minutos com intervalo de 1’10” trotando. Somando aquecimento mais os tiros e intervalo de descanso, o treino teria, no mínimo, 1h12 de duração. Não acreditei quando vi na planilha 18 repetições. Iniciei este treino às 5h08. Terminei às 6h21, porque ainda teve 1 minuto de trote até chegar em casa. Neste caso, foi bem no limite. Mudei o horário do treino, mas quero continuar sem chegar tarde.

Quanto mais tarde termino o treino, mais demoro para sair de casa e mais trânsito pego. Mais trânsito, mais demora para chegar. Neste treino que demorou muito, cheguei exatamente às 7h. Nos outros dias, sempre antes das 6h55. Por isso, todos os minutos são importantes. Arredondar significa que pode dar problema mais na frente e daí vira uma bola de neve. Por enquanto, tem dado certo, com alguma folga. Se o treinador não vier de novo com esses treinos loucos na planilha, acredito não ter problemas.

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Placas que não dizem nada

Um dia, alguém teve a ideia muito boa de que seria legal colocar placas indicando a quilometragem de uma corrida. Daria uma noção para quem estivesse correndo. A ideia é excelente. Em um mundo ideal, você só precisaria de um relógio cronômetro com voltas e a cada placa apertar o botão para ver qual foi seu ritmo naquele quilômetro. Seria muito perfeito. Perfeito demais para funcionar assim na prática. O que mais vemos nas corridas são placas colocadas aleatoriamente, variando conforme a vontade de quem está fazendo este serviço.

O GPS do relógio não é preciso, não é exato, mas na sua inexatidão marca cada quilômetro com mais constância do que as placas nas corridas. Na Track&Field do último domingo aconteceu isso. Até o 2º km, havia uma certa similaridade entre apito do GPS e a placa, dentro do esperado. No retorno, começou a várzea. Veio o apito do 3º km e demorou muito para aparecer a placa do quilômetro. Na Beira Mar Norte, toda reta e plana, o sinal do GPS não tem muito para onde ir e se perder. Eram, que novidade!, as placas que estavam mal colocadas.

No retorno, para começar a segunda volta, foi pior. O apito do GPS era MUITO antes das placas. O GPS indicar a parcial do quilômetro antes é algo normal e esperado pela falta de 100% de precisão, mas naquela situação era visível que não estava certo. Pois bem. Se o padrão seguisse, com o GPS apitando antes, ele marcaria mais de 10 km, né? No fim, não vi nenhum GPS marcando 10 km ou mais. Minha conclusão: quem colocou as placas fez de qualquer jeito e não se preocupou muito com quem ia correr.

Outra coisa que notei foram marcações de quilometragem pintadas no chão. Diziam algo como T&F e um número de quilômetro. Não sei se era para aquela corrida ou se eram de corridas passadas. Só sei que nenhuma daquelas marcações coincidia com as placas. Bem estranho. Até nem acho que esse descuido das placas seja algo consciente de quem faz a prova, mas confiar em pessoas para colocarem placas de quilômetros tende a dar errado. Ainda mais quando são staffs que não correm. Por isso, o GPS ainda pode salvar ritmos. Não acredite tanto no GPS, mas desconfie MUITO das placas.

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O número da pizza

Desde o começo do ano, venho mudando minha alimentação. Aquele post de 2014 falando das calorias e dos hambúrgueres é coisa do passado. Ele vai continuar ali. Um dia fui daquele jeito. Hoje, fast food é coisa rara e mais um monte de outras coisas que eu achava que eram boas, mas na verdade não acrescentavam nada além de um pouco de peso. São boas, reconheço, mas não dá para viver disso com frequência. Nessa mudança, vários pratos e alimentos comuns no meu dia a dia ficaram raros, alguns quase inexistem mais. Era comum, por exemplo, comer uma pizza por semana, daquelas congeladas que vendem em supermercados.

Parei com elas, mas vez ou outra ainda comprava essas de tele-entrega. Só que ainda não satisfeito com o número da balança, embora mais magro (senti a diferença muito mais no espelho e nas roupas do que na balança, mas é assunto para outro post), decidi não mais comer pizza até que alcançasse determinado número. Pois bem. Sempre me peso na mesma balança ao acordar, depois de ir ao banheiro. Método que me garante um mínimo padrão. A meta adotada foi de no dia que acordasse finalmente com a balança mostrando qualquer número abaixo de 76 kg, poderia pedir uma pizza, daquelas gigantes, sabores bacon, queijo e calabresa, de preferência, e ainda com borda de catupiry.

Foram dois meses em busca desse número, mas muito mais por mim do que pela pizza. Até que o dia chegou. 75,7 kg em 11/09. Não pedi a pizza ainda, mas alcancei o objetivo proposto. Continuei com essa meta para ver se me mantinha com este peso por mais tempo. O problema disso tudo é que desde então não pedi nenhuma pizza, mas já foram 6 dias acordando sub 76 kg. O objetivo inicial ficou muito fácil de atingir. Se levar o que me propus de forma rígida, teria 6 pizzas em a ver para pedir e comer. Depois de mais um dia acordando na casa dos 75 kg, parei com isso. O objetivo foi alcançado e já sei que consigo e de que forma. Ainda pretendo pedir a pizza, uma só, mas não sei quando.

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Domingo abaixo de 49

O post de hoje só poderia ser um: o desempenho do nosso estimado colega Nilton Generini na Track&Field Run Series Iguatemi Florianópolis. Na sexta, falei que o objetivo era fazer os 10 km abaixo de 49 minutos. Porque abaixo de 50 era muito tranquilo para ele. O Nilton não gosta de correr forte e fazer força, mas 49 sai, é só ele se esforçar um pouquinho. Nem precisa de muita coisa. Abaixo de 49 já tinha que acelerar mais. O domingo amanheceu com chuva, assim como a sexta e o sábado. Imaginem a vontade que o Nilton estava de correr. A largada ainda mudou de 7h30 para 7h. Pensem no ânimo do nosso amigo quando o encontrei faltando 20 minutos para a largada. De lá fomos nos posicionar, não sem antes dar um trotezinho fajuto de nem um minuto para “aquecer”.

Por uma dádiva divina, o GPS do Nilton não localizou os satélites de jeito nenhum. Apenas o meu funcionou. O dele só foi funcionar de fato depois de 500 metros. Isso foi bom porque ele não teria uma noção tão exata do tempo e ritmo. Eu saberia das parciais e como estávamos no momento certo. Menos uma chance de ele se sabotar. Pois bem. Largamos e mantivemos o ritmo bem constante. A meta era todos abaixo de 4:54, para ter uma folguinha e chegar no sub 49 minutos. Para fazer 48:49, uma média de 4:53 é suficiente.

Saímos a 4:52, depois 4:52, 4:47, 4:55, 4:55, 4:55, 4:57, 4:52, 4:57 e 4:45. Fizemos a primeira metade em 24:20 e a segunda em 24:24 mais ou menos. Fomos bem constantes, mas nosso jovem menino não estava aguentando o ritmo. Várias foram as vezes que olhei no GPS o ritmo de 4:58, olhava para o lado à procura dele e nada. Ele estava um pouco mais atrás. Sou um pacer legal, diminuía o ritmo às vezes, mas me incomodava ver que poderíamos ficar um pouco acima da média desejada. Na Track, são duas voltas de 5 km e nos últimos 2 km havia promessas de que alguém iria dar um sprint e fazer força máxima. Esse alguém não apareceu. Ficamos no mesmo ritmo e até perdemos um pouco da folga no 9º km. No último quilômetro, o momento do sprint final, faltou perna. Tive que voltar duas vezes para alcançar o Nilton que tinha ficado para trás. Mesmo assim, saiu o sub 49!

Recomendo a todos um dia verem o Nilton em uma chegada pós-prova que ele correu forte. É uma mistura de irritação, com passando mal, questionando por que fez isso e comemorando. Pelo meu Garmin, deu 9,99 km (acho que voltar duas vezes aumentou a distância nele). Não vi nenhum GPS marcando mais de 10 km. Pelas regras do DataEnio, não valeria o recorde, mas essa rigidez só se aplica a mim. O Nilton é flexível. No máximo dos máximos, teríamos que adicionar uns 15 segundos no tempo e mesmo assim daria sub 49.

O meu tempo líquido oficial da prova foi 48:41. O Nilton chegou do meu lado ou um pouco à frente. Mesmo que ninguém diga, ele fez sim. Eu vi! Vocês podem fazer a projeção que bem entenderem, mas daria sub 49 de qualquer jeito. Se o Nilton tivesse um pouquinho mais de onde tirar força, seria um tempo ainda melhor. Como ele não liga muito para essas coisas, vou deixar registrado aqui no post para eventuais consultas que este ano, em um período de 3 semanas, saiu o sub 24 nos 5 km e o sub 49 nos 10 km, que era o que ele queria. Objetivo alcançado. Importante ressaltar que nos dois dava para ter ido melhor. Vejam que até um jovem senhor de quase 50 anos pode correr bem e forte se quiser. Todo mundo pode. É só querer. E se tiver um coelho ritmado que nem eu, melhor ainda.

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Sub 50 alheio

No próximo domingo, será realizada a Track&Field Run Series Shopping Iguatemi aqui em Floripa. Prova tradicional do circuito. É a prova mais antiga da qual participo desde que comecei a correr. Todo ano, desde 2010, faço uma prova da Track. A organização, o percurso, tudo sempre me faz querer voltar. O valor da inscrição não é muito atrativo, mas se você faz uma triagem de corridas acaba compensando.

A prova é tão legal que na minha planilha particular de anotações, tem todas as Tracks que fiz juntamente com todas as meias e maratonas. Sempre foi um bom lugar para fazer um novo recorde pessoal. Foi lá que todas as melhores marcas da vida em determinado momento foram feitas. Sub 55, sub 54, sub 50, 45:46.

A Track larga cedo e é em um percurso plano, na Beira Mar. Não tem muito erro. Mesmo em dias quentes, não é tão quente assim. Em princípio, usaria a prova deste ano para tentar mais uma vez o sub 45 nos 10 km. Mas aí veio o Nilton dizendo que eu ia ser o pacer dele na corrida para enfim sair o sub 50 dele de forma oficial.

Não tinha pensado nisso até ele mencionar, mas é uma ótima ideia. Não me mato tanto e ainda corro forte. Nosso objetivo é fazer abaixo de 49 minutos. O Nilton não gosta de correr e fazer recordes. Nem de correr ele gosta, mas decidiu que ia fazer um sub 50. Às vezes, correr forte é legal. Como nosso ilustre colega se sabota muito fácil e desiste da corrida porque pensa demais, uma companhia ajudando no ritmo tende a facilitar a vida dele.

Já fizemos isso duas vezes. Uma foi na Corrida Pela Paz do ano passado. O objetivo era só fazer o sub 50, mas a prova tinha mais de 300 metros A MENOS. Na projeção, daria uns 49 minutos, mas não serve como recorde pessoal. A outra vez foi há algumas semanas no Circuito ParaTodos. Fizemos os 5 km e o objetivo era correr abaixo de 24 minutos. Não tinha 5 km, mas no ritmo e na projeção deu certo.

Domingo, vamos tentar novamente. Desta vez, confiando e acreditando que a Track&Field vai ter 10 km. Geralmente tem. Só não poder dar a menos como os 9,65 km da Corrida Pela Paz. Cada quilômetro a 4:53/4:54 acho que sai. Se o Nilton não ficar com questões existenciais antes e durante, acredito que faremos até melhor do que 48:59. Segunda-feira eu conto como foi, com fotos, registros de Garmin e tempo líquido oficial da prova.

Para quem ainda não conhece, o Nilton é dono do Corridas SC, já fez o Corridas PR e agora lançou o Corridas RS. Em breve, Corridas BR é o caminho natural das coisas. O desempregado que trabalha mais do que a maiores dos empregados no Brasil, diz ele. E também quase o ombudsman deste site. Ah, esse parágrafo não foi patrocinado. Ele jamais pagaria para eu escrever isso. Mas é tudo verdade. Inclusive a parte de que ele jamais pagaria.